A nuvem agiganta-se
e o Sol esconde-se,
o vento levanta-se
e a poeira rodopia.
As aves voam tristes,
em semi-círculos caóticos,
o homem dobra a esquina,
no seu passo apressado.
As luzes apagam-se,
anunciando o terror,
a noite cai gelada,
e o fogo aquece as almas.
O homem chega a casa,
ressoam os passos no soalho,
ouve-se o relógio irritante,
no fundo do corredor nu,
Aconchega-se no seu leito,
apercebe-se que está só.
Triste dia este!
Não partilha desesperos,
o seu rosto não expressa dor,
está só neste mundo desgraçado.
Embalado pelo som do relógio,
que marca o tempo que não quer,
adormece e sonha.
No seu mundo inconsciente
sonha e é feliz.
E porque amanhã é outro dia
mais passos apressados se ouvirão,
correrá de volta ao seu mundo
onde deseja não acordar.
Mundo tão válido como outro,
mundo em que é feliz.
Estranha forma de viver,
em pleno Inverno da vida,
vazio no seu dia-à-dia,
mas pleno de emoções,
enquanto dorme,
embalado pelo som irritante,
do relógio do corredor nu.
Pobres daqueles que já não conseguem sonhar.
Nocas
Já não sei se te quero,
ou se alguma vez te quis,
sei que me resta um vazio,
a sensação de um erro,
incapaz de ser desfeito.
O que me resta apenas,
um Eu diferente de autrora,
um ser mais calculista,
descrente e egoísta,
alguém que sabe e sente
que quem perdes és tu
e nunca Eu!!!
Como posso perder se não cheguei a ganhar?
Nocas
Tua pele macia e dourada,
E um cheiro quente e suave.
Sussurras-me ao ouvido
O que quero ouvir no momento.
Os nossos corpos em movimentos
plenos de um prazer imensurável.
Mãos que acariciam o meu corpo
em suaves gestos, sensuais.
Beijos loucos e molhados,
entrelaçados num sentimento,
numa vida que nos separa,
E um desejo insano que nos une.
A falta que me fazes
as saudades que tenho
das gargalhadas inconsequentes
das atitudes inocentes
das emoções instantâneas.
Que saudades de ti, juventude,
das noites mal dormidas,
da doidice deliciosa,
da irresponsabilidade constante,
e da felicidade duvidosa.
A falta que me fazes,
preciso de ti, juventude,
quero reaprender a viver,
soltar o que está preso,
e não ter nada a temer.
Oh tempo ingrato e malvado,
que tudo levas e nada de bom trazes,
tiraste-me o sorriso deixaste-me a dor,
eu já não acredito em milagres,
mas há quem ache que sempre resta o amor.
Nocas
Fizeste o que havia a fazer,
mataste o que sentia por ti,
pois nada de novo me irias trazer,
mas agradeço-te o que por ti, já, senti.
Vi em ti aquilo que eu queria,
enganei-me ao pensar que eras diferente,
pensei que sempre te amaria,
mas, infelizmente, nada é para sempre.
Sei que nada que te diga,
mudará a tua forma de agir,
o tempo trouxe a fadiga,
está na hora de partir.
Vou, mas em consciência
que tudo fiz para que resultasse
acabou-se a paciência,
Esperar não mais!!..
já esperei o que bastasse!
(odeio rimas, mas isto é sentido…!!!)
Nocas
Esse mar revolto e frio
Que me aquece a alma
Encontro a paz que preciso.
Essa imensidão de verde e azul
Em que o horizonte se funde,
Traz-me à memória lembranças da infância.
Essa brisa forte com sabor a sal
Que me despenteia e arrepia
Desperta-me os sentimentos adormecidos.
Essas ondas que se espraiam na areia
Com uma espuma que se desfaz
Salpicam-me de felicidade.
Esse sol que se esconde
Num contraste de vermelhos
Aquece-me a alma.
Essa areia fina e morna
Onde os meus pés se enterram
Trazem-me a suavidade dos bons momentos.
Essas aves que voam nesse céu imenso
Que mergulham e se alimentam
Lembram-me que não estou só!
Neste mar de inverno que contemplo,
Nessa areia fina que com as mãos ajeito,
Imagino o amor que me abriga.
escolhia o que me ia na alma,
fazia aquilo que eu quero,
sem ter que justificar a ninguém.
Se eu pudesse fugir,
desta vida miudinha,
desta gente que por mim passa,
e que me faz sofrer.
Se eu pudesse fugir,
seria para parte incerta,
onde ninguem me encontraria,
nem mesma eu.
…voltaria apenas depois de me encontrar.
é certo que um dia vou e não volto!!!!
Nocas
Houvesse tempo e eu seria
em tudo ou nada igual.
Houvesse tempo eu faria
o mesmo que sempre fiz.
Houvesse tempo eu diria
pouco tempo para ser feliz!
E se o tempo não existisse
o que seria de mim?
Falo dele a toda a hora
vivo com ele segundo a segundo,
paranóia irritante, obsessão
só porque o tempo virou meu mundo.
Este é mesmo o meu primeiro post neste espaço. Por aqui deixarei os meus devaneios e insanidades, típicas de uma mulher da minha idade, em crise.